segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cadernos de Frye

Considero a maior parte dos Evangelhos leitura sumamente desagradável.

As parábolas misteriosas, com ameaças ocultas, a ênfase depositada por Cristo em si mesmo, em sua singularidade, em uma atitude que pode ser caracterizada como “ou eu, ou então...”, a demonstração de milagres como façanhas irrefutáveis e a desilusão prevalente quanto ao fim do mundo ---- são questões a serem explicadas pela perspicácia intelectual, e o fato de que elas existem sempre me parece fazer parte do delicado tecido da racionalização.

A Igreja cristã, com todas as suas manias, começava a se formar quando os Evangelhos foram escritos, e é possível ver a atuação da Igreja, abrindo caminhos e viabilizando o seqüestro do cristianismo por uma sociedade deformada e neurótica.

Pergunto-me por quanto tempo, e até onde, é possível se esquivar ou resistir à sugestão de que a estruturação editorial das Escrituras é, fundamentalmente, um processo desonesto.

Os Evangelhos nos apresentam um Jesus tão mitológico quanto Átis, Adônis, Osíris ou qualquer outra divindade que morre e renasce.

Um Messias que é Deus Encarnado e que morre na Cruz pelo Perdão de todo pecado humano é irreconciliável com a Bíblia hebraica.