sábado, 9 de julho de 2011

É uma Seita sem dúvida.

Quando afirmamos a uma Testemunha de Jeová que o seu movimento religioso é uma seita, a mesma além de não concordar (o que até me parece normal visto a manipulação mental exercida sobre ela), fica irritada, agindo de forma pouco racional. Muitas vezes nem sequer sabe qual a definição da palavra “seita” e o único argumento que encontra (e parece ser o único que aprendeu), é que não são uma seita porque tão simplesmente não seguem a homens e seus mandamentos…

Ora o "Dicionário Priberam da Língua Portuguesa" dá a seguinte definição da palavra seita:
"(latim secta, -ae, caminho, linha de conduta, princípios, escola filosófica)
Grupo que segue uma doutrina que deriva ou diverge de uma religião".

De onde surgiram as Testemunhas de Jeová?

O movimento religioso começou na cidade de Allegheny, Pensilvânia, Estados Unidos da América, por volta de 1870. O seu criador chamava-se Charles Taze Russell, um comerciante, nascido naquela cidade a 16 de Fevereiro de 1852.
Ele foi criado como Presbiteriano, mas afiliou-se à Igreja Congregacional. Desapontado com as religiões, perdeu a sua fé na Bíblia. Uma noite, em 1869, assistiu a um culto numa Igreja Adventista e recuperou a fé. Formou um grupo independente de estudo e, em 1877, associou-se a Nelson Barbour, um Segundo Adventista, com o qual passou a produzir publicações, separando-se dele (por divergências de ponto de vista) cerca de dois anos depois.
Em 1879, começou a publicar a revista WatchTower, a qual, mais tarde, se tornaria a conhecida “A Sentinela”. O Pastor Russell, entre outras coisas, era adepto de piramidologia, simpatizante da maçonaria e extraiu alguns de seus conceitos da astrologia e dos cálculos de um inglês chamado John Acquila Brown , sobre o “fim do mundo”.
Ele escreveu diversos livros durante a sua vida, nenhum dos quais é hoje publicado. Os seguidores do Pastor Russell chamavam-se inicialmente ‘Estudantes da Bíblia’, tendo adquirido o nome “Testemunhas de Jeová” apenas a partir de 1931.
Estudiosos de religião consideram o movimento “Testemunhas de Jeová” como derivado do Segundo Adventismo e do ‘Millerismo’ do século 19.
(Fonte: Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus (1993), cap. 5 e Apocalypse Delayed – M. J. Penton (1985), parte I)

Russell foi criado na Igreja Presbiteriana, depois filiou-se na Igreja Congregacional, e, finalmente, restaurou a sua fé com os Adventistas, "sob a orientação de Deus", nas próprias palavras dele. É bem inteligível que os inicialmente Estudantes da Bíblia (agora Testemunhas de Jeová), foram uma facção de outros grupos religiosos.

O que dizer então sobre o raciocínio das Testemunhas de Jeová que as mesmas não seguem a homens?

A liderança das Testemunhas de Jeová é garantida a partir da sua Sede, fundada em Brooklyn, Nova Iorque nos Estados Unidos da América. A designação legal da mesma é a “Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania”, em Português: “Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia” ou tão simplesmente como os fiéis lhe chamam: “a Sociedade”.
As Testemunhas de Jeová são dirigidas por um grupo de pouco mais de meia dúzia de homens, que se auto-denominam de “Corpo Governante” (não existe na bíblia tal termo). Esse órgão central de homens é responsável pelas atividades mundiais das Testemunhas de Jeová em redor do mundo inteiro. Eles auto-intitulam-se de “Escravo Fiel e Discreto”, também professam ser “orientados por Deus” e dizem ser “Divinamente inspirados”.

O livro “Poderá Viver para sempre num Paraíso na Terra” página 195, diz o seguinte:
“A organização visível de Deus hoje também recebe orientação e direção teocráticas”.

"A Sentinela” de 1º de Janeiro 1974“ também menciona: (…)
“Só a Organização de Jeová em toda a Terra é dirigida pelo Espírito Santo. Ela é a única para a qual a Palavra Sagrada de Deus, a Bíblia, não é um lacrado, a única Organização na Terra que compreende as “coisas profundas de Deus”.
Todos os ensinamentos da seita são criados por este conjunto de pessoas e todas as suas inúmeras leis internas são costuradas por eles, tendo o Corpo Governante o poder de comandar a vida e o destino de cerca de 7.000.000(7 milhões) de fiéis. Nenhuma Testemunha de Jeová tem o direito de duvidar das doutrinas criadas por este grupo, sobe pena de ser expulsa da seita. A obediência total e incondicional é uma obrigação. Todos os membros seguem o Corpo Governante cegamente por acreditarem que tais doutrinas vêm diretamente de Jeová.

“A Sentinela” de 1º de Fevereiro de 1940 (em inglês), diz o seguinte sobre essa matéria:
“Nós resolvemos obedecer todos as instruções da Torre de Vigia, sabendo que tal procede dos altos poderes de Jeová Deus e Jesus Cristo. Nós resolvemos ser completamente obedientes à Sociedade como parte visível da grande teocracia".

Seguem as Testemunhas de Jeová a homens?
A resposta é demasiado óbvia para ser respondida!

Mas sobre serem ou não uma seita, vou deixar que a Sociedade Torre de Vigia responda a essa pergunta através das suas próprias publicações…

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1994 pág. 4 sobe o tema: “O que são seitas?”

“As seitas são interpretadas como grupos religiosos dotados de conceitos e práticas radicais que se chocam com o que é hoje aceite como comportamento social normal (...) Os membros de seitas muitas vezes se isolam dos amigos, da família e até da sociedade em geral. Dá-se isso com as Testemunhas de Jeová” (…)?

“A Sentinela” de 15 de Dezembro de 1981 pág. 19 “Como encarar a desassociação”

(...)“Os que se tornam ‘não dos nossos’ por deliberadamente rejeitarem a fé e as crenças das Testemunhas de Jeová devem ser encarados e tratados apropriadamente como aqueles que foram desassociados por causa duma transgressão” (...)
“A Sentinela” de 4 de Janeiro de 1983 págs. 31 e 32 na secção “Perguntas dos Leitores”

(...)”Outra espécie de falta pode ser sentida pelos avós cristãos leais, cujos filhos foram desassociados. Talvez se tenham acostumado a visitar os filhos regularmente, dando-lhes oportunidade de se deleitarem com os netos. Agora os pais foram desassociados por rejeitarem as normas e os modos de proceder de Jeová. De maneira que as coisas não são mais as mesmas na família. Naturalmente, os avós terão de decidir se alguns assuntos familiares necessários exigem contato limitado com os filhos desassociados. E poderão fazer, às vezes, que os netos os visitem”.

“Nosso Ministério do Reino” de Agosto de 2002 (Pequeno Jornal interno de acesso restrito e exclusivo para os membros batizados)

(...) "Evitamos também o convívio social com quem foi expulso. Isso significa que não vamos com ele a piqueniques, festas, jogos, compras, ao cinema, nem tomamos refeições com ele, quer em casa quer num restaurante. A Sentinela de 15 de Dezembro de 1981, na página 21, diz: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?

(...) Fica por conta dos membros da família decidir até que ponto o parente desassociado precisa ser incluído quando tomam as refeições ou cuidam de outras atividades domésticas. Mesmo assim, devem evitar dar a impressão aos irmãos com quem se associam de que nada mudou depois da desassociação.

(...) Depois de ouvir um discurso numa assembléia de circuito, um irmão e sua irmã carnal se deram conta de que precisavam mudar o modo como tratavam a mãe, que morava em outro lugar e havia sido desassociada seis anos antes. Logo depois da assembléia, o irmão ligou para a mãe e, depois de reafirmar seu amor por ela, explicou que não falaria mais com ela, a não ser que um assunto familiar importante exigisse esse contato.

(...) Se o marido for desassociado, a esposa e os filhos não se sentirão à vontade se ele dirigir um estudo bíblico familiar ou liderar na leitura da Bíblia e na oração. Se ele quiser proferir tal oração, como numa refeição, tem o direito de fazer isso na sua própria casa. Mas eles poderão fazer calados as suas próprias orações a Deus".

“Nosso Ministério do Reino” de Março de 1971 pág. 2

(...) “Se alguns continuarem uma associação que não é absolutamente necessária com o membro da família desassociado, que mora fora do lar, a comissão deverá amorosamente ajudá-los. Desrespeito persistente à instrução da Bíblia de ‘cessar de manter convivência’ com tal pessoa pode levar à desassociação”.

"A Sentinela" de 15 de Março de 1986 pág. 18 “Não dê margem ao Diabo!

“ Alguns dos que têm atitude crítica afirmam que a organização de Jeová é restrita demais na questão de cortar os contatos sociais com pessoas desassociadas. (2 João 10, 11) Mas, por que acham isso tais críticos? Será que têm vínculos familiares íntimos ou uma lealdade errônea a um amigo, que eles colocam à frente da lealdade a Jeová, e às Suas normas e aos Seus requisitos?”

“A Sentinela” de 15 de Janeiro de 1971 pág. 63 “Perguntas dos Leitores”

(...) “Precisamos manter claramente destacado o fato de que não poder o desassociado gozar da companhia dos seus parentes cristãos não é culpa destes, como se o negligenciassem. (...) os cristãos fiéis têm a obrigação de manter de pé a ação de desassociação por evitarem a associação com o desassociado. Se este for parente que não mora na mesma casa, procurarão não ter associação nenhuma com ele”.

No livro “Proclamadores” cap. 13 pág. 183 “Somos reconhecidos pela nossa conduta”

“A partir de 1961, quem quer que desconsiderasse esse requisito divino, aceitando transfusão de sangue, e manifestasse uma atitude impenitente seria desassociado da congregação das Testemunhas de Jeová”.

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1984 pág. 4 “O que são seitas?”

“Seita é um grupo ou movimento que demonstra excessiva devoção a uma pessoa ou idéia... Sua devoção a um autoproclamado líder humano é provavelmente incondicional e exclusiva. Com frequência, tais líderes se jactam de terem sido divinamente escolhidos”.

“A Sentinela” de 15 de Março de 1998 pág. 10 e 11 “Escravos de homens ou servos de Deus?”

“Definiu-se “seita” como “grupo que adere a uma doutrina distintiva ou a um líder”. De forma similar, os pertencentes a um “culto” têm “muita devoção a uma pessoa, a uma idéia ou a uma coisa”.

“A Sentinela” de 15 de Agosto de 1981 pág. 19 “Precisamos de ajuda para entender a Bíblia?”

“Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. Devemos ter confiança no instrumento que Deus usa. Na sede de Brooklyn, donde emanam as publicações bíblicas das Testemunhas de Jeová, há mais anciãos cristãos maduros, tanto do “restante” como das “outras ovelhas”, do que em qualquer outra parte da terra.”

“A Sentinela” de 15 de Julho de 1983 pág. 27 “Armados para a luta contra espíritos iníquos”

“Podemos realmente passar sem a orientação da organização de Deus? Não, não podemos.”

“A Sentinela” de 15 de Março de 1996 p. 16-17 “Como passar na prova da lealdade”

“Passamos agora a tratar do assunto de se ser leal à organização visível de Jeová. Nós certamente devemos lealdade a ela, inclusive ao "escravo fiel e discreto", por meio de quem a congregação cristã é alimentada espiritualmente. (Mateus 24:45-47) Suponhamos que apareça nas publicações da Torre de Vigia algo que não entendemos ou com que não concordamos no momento. O que faremos? Ficar ofendidos e abandonar a organização? Isto foi o que alguns fizeram... De modo que a lealdade inclui esperar até que o escravo fiel e discreto publique entendimento adicional.”

“A Sentinela” de 15 de Fevereiro de 1994 pág. 7 “São as Testemunhas de Jeová uma seita?”

“É precisamente devido a essa estreita aderência aos ensinos bíblicos que não se encontra entre as Testemunhas de Jeová a veneração e a idolatria de líderes humanos, tão características das seitas hoje em dia. Elas rejeitam a idéia duma distinção entre uma classe clerical e outra leiga.” A mesma “Sentinela” diz o seguinte na página 2: “Sabe-se que os líderes de seitas utilizam métodos manipuladores para controlar a mente de seus seguidores. Há qualquer evidência de que as Testemunhas de Jeová fazem isso?

Depois dos textos supra citados, podemos afirmar que não existe qualquer tipo de coerência nas publicações da Torre de Vigia. Por todos os fatos evidenciados, as Testemunhas de Jeová são realmente uma seita. Vivem num mundo à parte, afastando-se da sociedade em geral, regem-se com leis próprias e todos aqueles que não seguirem à risca as suas doutrinas, estão condenados à expulsão, sujeitando-se assim a severas consequências. Para mim, não será difícil afirmar que além de serem uma seita, as Testemunhas de Jeová (inconscientemente) tornam-se perigosas para elas próprias e para quem as rodeia…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jeová

Jeová foi e ainda é a personificação mais misteriosa de Deus até hoje ensaiada pela humanidade; no entanto, ele iniciou a carreira como monarca guerreiro do povo a que chamamos de Israel.

A despeito de encontrarmos Jeová cedo ou tarde na vida, confrontamos uma personalidade exuberante e um caráter tão complexo que decifrá-lo é impossível.

Refiro-me apenas ao Jeová da Bíblia Hebraica, e não ao Deus daquela obra inteiramente revista, a Bíblia cristã, com o seu Antigo Testamento e gratificante Novo Testamento.

O historicismo, seja à antiga ou renovado, parece ser incapaz de confrontar a incompatibilidade total existente entre Jeová e Jesus Cristo.

Jack Miles, o Boswell de Jeová, no livro - God: A Biography (Deus: uma biografia), - retrata um Jeová cujo ponto de partida é uma espécie de falta de autoconhecimento mesclada com poder total e alto grau de narcisismo.

Após diversos desastres divinos, conclui Miles, perde o interesse (inclusive de si mesmo).

Miles, nos faz lembrar, com correção, que Jeová, em 2 Samuel, promete a Davi que Salomão há de encontrar um segundo pai no Senhor, adoção que abre o precedente para Jesus afirmar que é filho de Deus.

O Jesus histórico, evidentemente, insistia tanto em sua autoridade para falar por Deus quanto em sua íntima relação com o abba (pai), e, nesse particular, vejo poucas diferenças entre ele e seus precursores, entre os profetas carismáticos de Israel.

A diferença surgiu com o advento do Deus teológico, Jesus Cristo, com o qual a linha da tradição é, efetivamente, rompida.

Jeová, a não ser pelas questões de poder, diverge dos deuses de Canaã, principalmente, ao transcender a sexualidade e a morte.

O Novo Testamento se fundamenta na violência sagrada da Crucificação e do suposto desenlace, em que morre em conseqüência de tortura se transforma em ressurgimento dentre os mortos.

Trata-se de um padrão bastante diverso da turbulência misteriosa observada em Jeová, que estabelece Alianças com sua gente, mas que tem liberdade total para delas se evadir, e que adverte Moisés, no Sinai, que os anciãos privilegiados por participar com ele de um repasto não devem se aproximar demais.

Realisticamente, Jeová mostra-se ciente do seu temperamento ao estilo Rei Lear, propenso a súbitos acessos de fúria.

“Jesus”, (...), significa, principalmente, Jesus o Cristo, um Deus teológico.

Jeová, em sua primeira e definitiva carreira, não é, absolutamente, um Deus teológico, mas humano, muito humano, e se comporta de modo bastante desagradável.

O cristianismo transforma Jesus de Nazaré, figura histórica sobre a qual dispomos de apenas alguns fatos, em uma multiplicidade politeísta que substitui o ameaçador e misterioso Jeová por um Deus Pai muito diferente, cujo Filho é o Cristo, ou Messias ressuscitado.

Jeová, que, desde a destruição do Templo, sentiu-se como uma espécie de sem-teto, pareceu estar em exílio voluntário, em algum ponto do espaço sideral, até regressar a Israel, em 1948.

No ano de 2004, (...), só podemos esperar que Jeová não volte a exigir a reconstrução do Templo, pois a mesquita Al Aksa foi erigida na área que correspondia ao Templo, e já temos guerras religiosas suficientes, podendo prescindir de uma catástrofe final.

Fanáticos, em Jerusalém e espalhados pelo fundamentalismo protestante norte-americano, estão sempre a conspirar a destruição da mesquita inconveniente, e bezerros de puro sangue são criados nos Estados Unidos, como oferendas potencialmente capazes de atrair Jeová de volta às imediações do Templo.

Menciono essa loucura tão bem atestada apenas para confessar uma constrangedora diminuição do meu ceticismo diante de Jeová.

Duvidar-lhe a existência perene é exercício racional, mas ele não é uma entidade estática, ao contrário do Deus Pai cristão.

O assombroso dinamismo de Jeová faz com que até suas ausências impliquem supostas perturbações.

Jeová, seja lá como for chamado, inclusive de Alá, não é a divindade universal de um planeta que se encontra conectado por meio da informação instantânea; (...), mas o mundo continua a se afogar na onda sangrenta das escrituras, lidas ou não por ele.

...a vida é por demais importante para ser levada a sério. (Oscar Wilde).

Jeová, lamento acrescentar, é por demais importante para ser ironizado.

Jeová, embora evidente apenas como personagem literário, reduziu-nos à condição de personagens literários menores, elencos de coadjuvantes do protagonista dos protagonistas, em um universo mortífero.

Jeová zomba da nossa mortalidade no Livro de Jó; Jeová santifica a tirania da natureza diante das mulheres e dos homens: eis a sapiência cruel da história de Jó.

“O islamismo [...] apresenta todas as características de um grande culto da morte” (Sam Harris)

Harris cita pesquisas de opinião realizadas em países muçulmanos que refutam, flagrantemente, nossos chavões de que terroristas suicidas não contam com o apoio da maioria dos muçulmanos: é certo que contam.

Se Jeová é senhor da guerra, Alá é terrorista suicida.

Jeová, presente e ausente, tem mais a ver com o fim da confiança do que com o fim da fé.

Será que ele ainda poderá firmar conosco uma aliança que terá condições de cumprir?

Cadernos de Frye

Considero a maior parte dos Evangelhos leitura sumamente desagradável.

As parábolas misteriosas, com ameaças ocultas, a ênfase depositada por Cristo em si mesmo, em sua singularidade, em uma atitude que pode ser caracterizada como “ou eu, ou então...”, a demonstração de milagres como façanhas irrefutáveis e a desilusão prevalente quanto ao fim do mundo ---- são questões a serem explicadas pela perspicácia intelectual, e o fato de que elas existem sempre me parece fazer parte do delicado tecido da racionalização.

A Igreja cristã, com todas as suas manias, começava a se formar quando os Evangelhos foram escritos, e é possível ver a atuação da Igreja, abrindo caminhos e viabilizando o seqüestro do cristianismo por uma sociedade deformada e neurótica.

Pergunto-me por quanto tempo, e até onde, é possível se esquivar ou resistir à sugestão de que a estruturação editorial das Escrituras é, fundamentalmente, um processo desonesto.

Os Evangelhos nos apresentam um Jesus tão mitológico quanto Átis, Adônis, Osíris ou qualquer outra divindade que morre e renasce.

Um Messias que é Deus Encarnado e que morre na Cruz pelo Perdão de todo pecado humano é irreconciliável com a Bíblia hebraica.

domingo, 5 de junho de 2011

O Escravo Fiel e Discreto Lê a Bíblia?


               Para quem não sabe o termo "Escravo Fiel e Discreto" é usado pela Testemunhas de Jeová como sendo aqueles que foram escolhidos para governarem com Jesus.

               Segundo eles, são apenas 144.000 que irão para o céu e de lá , juntamente com Jesus, governarão a humanidade remida.

               Alguns destes  é que escrevem as literaturas que são acolhidas pelas Testemunhas de Jeová, como sendo a "verdade".

               E todos são aconselhados a acatarem o que é por eles ensinados, e quem não o fizer será considerado apóstata e será desassociado.

         Isso é aconselhado nas suas literaturas, veja por exemplo o que diz a revista A Sentinela 02/01/10, sob o tópico "Cultive a Obediência ao se Aproximar o fim" página 19, parágrafo 7 diz :" Por se sujeitar à classe do escravo, o povo de Deus também tem mostrado sujeição ao Amo, Jesus Cristo. Essa sujeição tem assumido um significado adicional nos tempos modernos devido a Jesus ter recebido mais autoridade, conforme predito na profecia que Jacó fez no leito de morte."



               Portando olhando sob um ponto de vista crítico eles consideram esse "Escravo" com os mesmos olhos que os católicos consideram o Papa de Roma.

               Pois é dito que: Roma locuta causa finita, ou seja Roma falou a causa está finda, ou seja eles tem a palavra final sobre as interpretações e os ensinos.

               Pois bem, tendo isso explicado, vamos a pergunta desse tópico.

               Estive lendo um livro dessa Organização, denominado " O que a Bíblia Realmente Ensina" e deparei com algo interessante na página 32 parágrafo 13 onde diz: 

 Naturalmente, Jeová é o Deus Todo-Poderoso, o Criador do maravilhoso Universo. (Revelação 4:11) No entanto, em nenhum lugar a Bíblia diz que Jeová Deus, ou Jesus Cristo, seja o governante deste mundo. De fato, Jesus se referiu especificamente a Satanás como “governante deste mundo”. (João 12:31; 14:30; 16:11) A Bíblia até mesmo fala de Satanás, o Diabo, como “deus deste sistema”. (2 Coríntios 4:3, 4) A respeito desse opositor, ou Satanás, o apóstolo João escreveu: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” — 1 João 5:19. - (destaque acrescentado)

Conforme vemos ali diz claramente que, "em nenhum lugar a Bíblia diz que Jeová Deus, ou Jesus Cristo, seja o governante deste mundo".

Concordo com a segunda  parte, em nenhum lugar da Bíblia diz que Jesus é o governante deste mundo, no entanto com referência a Jeová Deus a coisa é diferente.

Vejamos o que diz a Bíblia em Daniel 4:17:  A coisa é por decreto dos vigilantes e o pedido é [pela] declaração dos santos, para que os viventes saibam que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser, e estabelece nele até mesmo o mais humilde da humanidade.”

Ainda no mesmo livro no capítulo 4: 25: expulsar-te-ão de entre os homens e tua morada virá a ser com os animais do campo, e vegetação é o que te darão para comer, como a touros; e tu mesmo virás a ser molhado pelo orvalho dos céus, e passarão mesmo sete tempos sobre ti, até saberes que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser.

E finalmente Daniel 5:21: E ele foi expulso de entre os filhos da humanidade, e seu próprio coração foi feito semelhante ao de um animal, e sua morada era com os jumentos selvagens. Davam-lhe vegetação para comer, como a touros, e seu próprio corpo foi molhado pelo orvalho dos céus, até ele saber que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que estabelece sobre ele a quem quiser.



Nabucodonosor teve que aprender, e sentiu na pele o peso dessa aprendizagem.

Mas quem era esse "Altíssimo" que  a Bíblia aqui menciona?

Jeová Deus ou Satanás?

O livro  "O que a Bíblia Realmente Ensina" diz ainda nas páginas 31,32  parágrafo 11, o seguinte:   " Jesus jamais duvidou que Satanás fosse o governante deste mundo. De alguma forma milagrosa, Satanás certa vez mostrou a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”. Daí, ele prometeu a Jesus: “Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.” (Mateus 4:8, 9; Lucas 4:5, 6) Pense nisso. Se o Diabo não fosse o governante desses reinos poderia ele ter tentado Jesus com essa oferta? Jesus não negou que todos esses governos do mundo pertencessem a Satanás. Certamente, Jesus teria feito isso se Satanás não fosse a verdadeira fonte de poder desses governos"



Aqui é ensinado que os governos do mundo pertencem a Satanás.

Fica ainda mais difícil quando lemos na epístola de Paulo aos Romanos no capítulo 13 e versículo 1, onde diz: " Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus."(A Bíblia de Jerusalém).

Outras traduções da Bíblia dizem, "instituídas", "ordenadas" , enquanto que a "Tradução do Novo Mundo", publicada pela Organização das Testemunhas de Jeová, verte como "acham-se colocadas por Deus nas suas posições relativas."

Ou seja para eles Satanás é o governante mas não na sua totalidade, Jeová é quem coloca as autoridades nos seus postos e quando quer os tira.

Nesse caso Satanás é um governante de mentirinha se outro manda e desmanda nos seus govêrnos.

O caso de Jó relatado na Bíblia pode ser mencionado como exemplo.

Quando Jó começou a sofrer sob a mão de Satanás, ele não sabia da trama que havia sido tecida em torno dele, e portanto ele disse referindo-se a Jeová, conforme registrado em Jó 9: 22-24:" Uma coisa há. Por isso é que deveras digo: ‘Ao inculpe, também ao iníquo, ele leva ao seu fim.’ 23 Se uma enxurrada causasse repentinamente a morte, Ele caçoaria do próprio desespero do inocente. 24 A própria terra foi entregue na mão do iníquo; Ele encobre a face dos seus juízes. Se não [ele], então quem?"

E o próprio Jeová aceitou isso, pois em Jó  42: 7-8 " E sucedeu que, depois de Jeová ter falado estas palavras a Jó, Jeová passou a dizer a Elifaz, o temanita: “Minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois companheiros, pois não falastes a verdade a meu respeito assim como fez meu servo Jó. 8 E agora, tomai para vós sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e tereis de oferecer um sacrifício queimado em vosso próprio favor; e o próprio Jó, meu servo, orará por vós. Somente aceitarei a face dele, para não cometer uma ignominiosa insensatez convosco, pois não falastes a verdade a meu respeito assim como fez meu servo Jó.”

Portanto Jeová é que manda e desmanda, foi ele que colocou Nabucodonosor no poder e o tirou, foi ele que autorizou e permitiu que Satanás chegasse até Jó.

Portanto que "governante do mundo" é esse que tem que pedir licença prá fazer as coisas e é limitado nas suas ações.

Pelo menos no caso de Jó foi assim, está registrado em Jó 2:6: "  Por conseguinte, Jeová disse a Satanás: “Eis que está na tua mão! Somente cuida da própria alma dele!”

Ou seja Satanás não poderia matar  Jó, suas ações foram limitadas pelo próprio Jeová, nesse caso todas as lamentações de Jó a respeito de Deus estavam certas.

O "Governante do Mundo" era Jeová, Satanás era apenas o seu executor.

Por isso é que eu acho que o "Escravo" não lê a Bíblia ou então sabe que seus seguidores não a lêem.